Mestre além dos tatames

Mestre além dos tatames

Perfil do Morador

Juquinha, nome que está a frente da maior equipe de jiu-jitsu na região Centro-Oeste conta a sua trajetória no esporte e explica o motivo do seu favoritismo dentro e fora dos campeonatos

Por Lorena Castro

Roupa esportiva, mochila nas costas, simplicidade no olhar e Deus nos lábios. Assim o ícone do jiu-jitsu no Brasil e no mundo estava vestido no dia da entrevista.

O professor Adimilson Brites, conhecido como mestre Juquinha, possui o título de cidadão honorário de Brasília e é o primeiro campeão no ranking mundial, onde ficou invicto em sua categoria por 11 anos.

Com 50 anos de idade e, dentre eles, 40 dedicados ao jiu-jitsu, o atleta vem formando jovens em campeões mundiais e transformando por meio do esporte, sonhos em realidade.

Natural de Teresópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, ele veio de uma família humilde. Começou a treinar a modalidade com 10 anos, em 1977. “Eu e meu irmão Jucão caçávamos muita confusão na rua e na escola. Então, meu tio nos colocou em uma academia para termos disciplina.

Começamos a fazer jiu-jitsu e com isso, pensaram que fôssemos brigar ainda mais, só que aconteceu totalmente o contrário. O professor nos ensinou a ter disciplina, nos educou pelo lado esportivo. Começamos a treinar visando ganhar campeonatos e deixamos as brigas de lado. O jiu-jitsu virou nossa profissão”, conta.

Mudança para Brasília

O atleta veio para Brasília em 1996, a convite do seu irmão Jucão, que teve a oportunidade de trabalhar na capital e viu no cerrado solo fértil para a modalidade, que estava no início. “Como eu e o meu irmão ganhávamos muitos campeonatos no Brasil e em 2002 conquistei meu primeiro título mundial, nosso nome foi ficando conhecido na cidade”, lembra.

Ovacionado em todos os campeonatos que participa e considerado como pai e referência por seus alunos, seu nome está a frente da maior equipe de jiu-jitsu na região Centro-Oeste. “O mérito todo vem de Deus. Graças a Ele, estou aqui nesse ramo há 21 anos e temos uma equipe muito grande que aumenta cada dia mais. Sou fã dos meus alunos, eles são a minha grande família”, diz.

Segredo do campeão

Morador de Águas Claras, evangélico, casado e pai não só de sua filha de sangue mas de milhares de alunos espalhados pelo país e pelo mundo, o mestre revela o grande segredo de ter em seu currículo a conquista de três campeonatos mundiais, seis internacionais e inúmeros nacionais.

“Não levo em conta o favoritismo na hora de entrar no tatame. Controlo minha adrenalina e nervosismo e estudo o campeonato desde a inscrição. Analiso as chaves e os meus adversários. Quando entro pra lutar, sempre peço a Deus que eu caia em um lado bom da chave, tanto na categoria quanto no absoluto, e vou lá brincar, me divertir e o resultado vem de Deus, Ele decide minha colocação no campeonato”, revela.

Para 2018, Juquinha planeja conquistar tudo o que não conseguiu em 2017, que seus alunos ganhem campeonatos e que o esporte de Brasília cresça cada dia mais. “É preciso investir mais na área de esportes na cidade, lugar de onde já saíram muitos atletas olímpicos, medalhistas mundiais. Aqui é um grande polo”. E finaliza. “Esporte é vida, saúde, diversão e profissão”.

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