A opção pela chatice

A opção pela chatice

Coluna Daniel Guerra

Um movimento vem ganhando força nas redes sociais e recebendo a adesão de um número cada vez maior de pessoas, principalmente jovens.

Trata-se do “Não calem a voz de Brasília”, iniciativa que contesta pontos da Lei do Silêncio que vigora no Distrito Federal desde 2008, e que – em resumo – impõe rígido limite de decibéis a qualquer estabelecimento (de bares a centros religiosos) a partir das 22h.

A bandeira do movimento é totalmente válida. Pede-se equilíbrio, ponderação, flexibilidade. Na prática, o que o legislador fez foi estabelecer um limite àquela música voz-e-violão no barzinho, à batucada entre amigos – mesmo que com caixinha de fósforo e tapas na mesa–, da missa, do culto, do encontro…

No fundo, a lei joga todas as situações no mesmo balaio, sem distinção dos casos concretos, e freia a capacidade de socialização.

Se no Plano Piloto – por seu caráter de base estritamente planejada – o rigor é quase intransponível, preocupa a situação de localidades com alma mais boêmia, como inegavelmente é o caso de Águas Claras.

O descanso é necessário, é de direito, é absolutamente válido e precioso. Mas determinados direcionamentos vindos dos textos legais despertam o temor de estarmos vivendo tempos cada vez mais chatos.

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