Você já torceu o tornozelo?

Você já torceu o tornozelo?

Se você já sofreu uma entorse de tornozelo ou pretende evitá-la durante a prática esportiva, não deixe de ler este artigo.

É fácil encontrar pessoas que sofreram uma entorse de tornozelo, afinal trata-se de uma das ocorrências ortopédicas mais comuns dentro ou fora da prática esportiva.

Nesse sentido, e considerando o fato de que a maior parte dessas lesões não é grave, ou seja, o tratamento é conservador (sem cirurgia), as pessoas não costumam levar a sério a relevância desse tipo de trauma, o que pode gerar muitas preocupações.

A articulação do tornozelo conecta a perna ao pé. Está formada, portanto, por ossos que compõem essas duas regiões anatômicas. Possui funções relacionadas ao equilíbrio, à locomoção e é o ponto chave em muitos gestos esportivos, como o chute no futebol, a aceleração na corrida ou as sofisticadas tacadas de golfe.

Uma entorse ocorre quando a articulação é levada além de sua amplitude, até esse momento estabilizada principalmente por resistentes ligamentos. Ao ultrapassar tal ponto, esses e as demais estruturas de sustentação podem ser rompidos parcialmente ou totalmente.

Em ambos os casos, o fator mais relevante, após excluídas as possibilidades de fraturas associadas, é a instabilidade, que se manifesta como uma articulação que está “frouxa”, isto é, tendendo a novas entorses com traumas de menor intensidade.

As entorses ocorrem por traumas diretos, como nos casos dos carrinhos na lateral do tornozelo, quando um zagueiro tenta tirar a bola de um atacante, na aterrisagem do voleibol, quando a atleta cai sobre o pé de outra, ou de forma indireta, em movimentos que exigem uma mecânica articular complexa, como nas mudanças súbitas de direção das partidas de tênis.

Independentemente da etiologia, as evidências científicas já demonstraram que existem exercícios que contribuem significativamente para a diminuição do número e gravidade dessas lesões. E não são exercícios de musculação. São, na verdade, exercícios para os músculos, mas com enfoque no aumento da velocidade de reação.

Apresentarei abaixo 2 exercícios com o objetivo citado. Assim como nas colunas anteriores, podem ser adicionados à sua rotina (se já possui um profissional que o acompanha, apresente a ele, para que possam avaliar a melhor forma de inseri-los), para serem realizados pelo menos duas vezes por semana.

O objetivo principal é melhorar a função dos músculos protetores do tornozelo, melhorando a sua velocidade de resposta (resposta neuromuscular). Podem ser realizados por praticantes de esportes em geral, desde que não possuam queixas na região. Nesse caso, recomenda-se procurar um especialista.

Exercício 1 – Equilíbrio sobre uma perna contra resistência

Modo de realização:

com uma faixa elástica fixada ao nível do tornozelo, você deve tentar apoiar essa perna com o joelho levemente dobrado; permaneça por 30 segundos e repita com os olhos fechados; troque o lado do elástico e repita a sequência.


Exercício 2 – Equilíbrio sobre plataformas instáveis

Modo de realização:

sobre uma plataforma instável para os lados, mantenha o equilíbrio de olhos abertos e fechados em séries de 60 segundos; para aumentar o nível de dificuldade, use uma faixa elástica logo acima dos joelhos.


 

*Especialista em Fisioterapia Esportiva, Pós-graduado em Fisioterapia Traumato-Ortopédica, Mestre em Ciências da Saúde e Doutorando em Saúde Baseada em Evidências. Além de atuar como fisioterapeuta, é docente e coordenador da Pós-graduação em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Esportiva do Centro Universitário de Brasília – UniCEUB.

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